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Texto originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 01 de Agosto de 2015

No ano passado, apenas nas vias marginais dos rios Pinheiros e Tietê, houve 1.180 acidentes de trânsito com vítimas resultando em 1.399 pessoas feridas. Foram 73 mortes –48 ocupantes de veículos e 25 atropelamentos– uma elevação de 15,9 % em relação ao ano anterior.

Reconhecer o problema, planejar e executar as soluções são procedimentos permanentes na Secretaria Municipal de Transportes. A redução das velocidades nesses trajetos foi, entre outras, uma iniciativa clara, direta e responsável para enfrentar essa situação dramática.

Assim, baixamos os limites de 90 km/h para 70 km/h nas pistas expressas; de 70 km/h para 60 km/h nas centrais, e de 60 km/h para 50 km/h nas locais. Concebidas a partir dos anos 1950 para ligações expressas entre as rodovias que chegam à cidade, as marginais ganharam o perfil de grandes avenidas. O crescimento da capital as abraçou.
A diminuição das velocidades tem apoio em estudos próprios, em pesquisas e procedimentos nacionais e internacionais. Todos são taxativos: quanto maior a pressa, mais elevada é a letalidade.

O estudo “Reduzir Acidentes de Trânsito Decorrentes de Velocidade Excessiva e Inadequada”, produzido pelo Conselho Europeu de Segurança nos Transportes, aponta os 50 km/h como o limite adequado para áreas urbanas –já estabelecido em países como França, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Como a Folha noticiou na quinta (30), em Londres o número de mortos e feridos caiu 40% graças à limitação para 32 km/h (20 milhas/h) em 25% do viário da capital.

Outro indicativo importante é que a uma velocidade mais baixa o espaçamento entre os carros diminui e o fluxo torna-se mais constante e seguro. Há, ainda, outras medidas em andamento nas marginais como a implementação das “lombofaixas” –área de travessia em nível com a calçada– para pedestres nas alças de acesso, como na ponte da Casa Verde, o que garante maior segurança, e a revitalização da iluminação pública.

As iniciativas na Tietê e Pinheiros fazem parte de uma ação da administração municipal que está ocorrendo na cidade e é mais ampla: o Programa de Proteção à Vida.

Nesse processo estão as 15 “áreas 40” instaladas até o momento, onde a velocidade máxima é de 40 km/h. Em todas houve redução de ocorrências –no Centro, foram 71% de queda nas mortes por atropelamento e de 18,5% nos acidentes.

Fora as “áreas 40”, e outros percursos específicos, estamos padronizando as velocidades nas avenidas da cidade para 50 km/h.

Outro trabalho é o “CET no seu bairro”, promovido pela Companhia de Engenharia de Tráfego, que fez intervenções em 77 áreas, desde fevereiro de 2014. Em março deste ano, foi incorporado ao Programa Prefeitura no Bairro. Até agora, por exemplo, foram feitas ou recuperadas 4.960 passagens de pedestres.

Foram instalados 289 pontos do “frente segura” –bolsões de parada junto aos semáforos destinados a motos e bicicletas para evitar choques entre veículos na saída para o sinal verde. Também cuidamos dos ciclistas com a implementação de 255 quilômetros à rede de ciclovias.

Por seu lado, a São Paulo Transportes (SPTrans), empresa vinculada à Secretaria, faz readequações no sistema viário para facilitar o trânsito dos ônibus e intercede junto às operadoras para melhorar a qualidade do atendimento. Também atua com a CET no monitoramento e fiscalização do tráfego.

Nesse contexto, a alta velocidade nunca traz boa notícia a ninguém. Vivemos um novo tempo, o da busca pelo respeito e convivência harmônica. Se tudo o que estamos fazendo salvar uma só vida, terá valido a pena. Essa é a boa notícia que queremos.