O mapa geográfico do coronavírus na cidade de São Paulo é assombroso: dos 20 bairros com mais casos da doença, todos (isto mesmo, todos) estão localizados nos extremos da maior metrópole do país. Os dados, divulgados no final de maio, confirmam a faceta social da pandemia, que devasta sobretudo as populações pobres, e o longo descaso do poder público com as periferias.

A informação tem causado enorme indignação em Cleonice Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP); Juliana Salles, médica, dirigente da CUT-SP e do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp); e João Gabriel Guimarães, vice-presidente do Sindicato dos dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep). Os três representantes de categorias fundamentais no combate à crise conversaram nesta terça (16) com o pré-candidato a prefeito de São Paulo, Jilmar Tatto.

Para o petista, a realização deste bate-papo deixou claro uma crescente inversão de valores imposta pela pandemia: a imensa maioria da população tem visto como um estado forte faz toda a diferença em situações extremas. “Até pouco tempo ainda prevalecia a ideia de que era preciso privatizar tudo para funcionar. Agora vimos que se não fosse o SUS, o coronavírus já teria feito muito mais vítimas no país. Sem atendimento gratuito e universal, muito mais famílias pobres e carentes já teriam sido destruídas”.

A indignação demonstrada pelos convidados ao debate por Tatto não quer dizer que todos elem tenham sido pegos de surpresa pelas alarmantes estatísticas. Pelo contrário. Cleonice, Juliana e Guimarães são unânimes em responsabilizar o governo do Estado e do município pela expansão do vírus em bairros e comunidades carentes da cidade.

“O governo do estado simplesmente sucateou a saúde. Estamos há 20 anos sem concurso público. Neste tempo, diminuiu o quadro e aumentou a carga de trabalho. O mais grave dessa situação é que esta doença foi trazida para cá pelos ricos, que tinham garantidos os seus leitos e atendimento qualificado, mas hoje quem tem morrido com ela são os pobres. É nesta camada da população que o problema se agrava justamente porque eles dependem do serviço público de saúde. Por sorte ainda temos o SUS. Caso contrário, não só São Paulo como todo o Brasil já estaria em colapso”, aponta Cleonice.

Juliana completa: “Este fato é mais uma faceta da política do PSDB, tanto no estado quanto no município. É um descaso completo com a população, principalmente com quem não pôde se dar ao luxo de fazer isolamento. Como foi dito pela Cleonice, o vírus já percorreu as regiões ‘abastadas’ e agora está concentrado nas periferias. Os dados que temos de óbitos mostra que eles são maiores em lugares onde nunca houve de fato políticas de exclusão social durante os governos tucanos”.

João Gabriel Guimarães lembra ainda que, para além do desmonte da saúde promovido há décadas pelos tucanos, houve também enorme negligência. “Na primeira semana de pandemia, ficou evidente que tanto o estado quanto o município demoraram muito a agir. E mais: foi a falta de proteção dos trabalhadores da saúde que agravou demais a situação. Vimos dezenas de médicos e enfermeiros se contaminando porque tinham que trabalhar em condições extremamente expostas. Mas infelizmente, est sempre foi o tratamento dado pelo estado à categoria”.

CAMPANHA PREFEITO: JILMAR TATTO E VICE: ZARATTINI - PT
CNPJ: 38.639.000/0001-09

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