O fato de a própria Prefeitura de São Paulo admitir que a cidade possa ter mais de 1 milhão de infectados pelo coronavírus aumentou a preocupação de Jilmar Tatto com a falta de gestão local no combate à pandemia. “Temos uma prefeitura frágil, que não tem liderança e coordenação política nem com o governador do mesmo partido. Não há mais dúvidas de que os muitos erros cometidos por Doria e Covas agravaram a situação na cidade”, aponta o pré-candidato do PT a prefeito da capital paulista durante conversa virtual com o deputado federal Alexandre Padilha.

Para Tatto, nem quando se esforçam para amenizar o problema, as gestões tucanas conseguem acertar. O petista usa o exemplo do transporte público para ilustrar alguns dos erros de Bruno Covas. “Primeiro, trancaram as ruas e nem profissionais da saúde podiam passar; depois fizeram o mega rodízio e diminuíram a frota de ônibus, fato que lotou os metrôs e trens da cidade. Agora estamos no momento em que 40% das pessoas já estão indo trabalhar e ainda não há uma coordenação, uma estratégia”, complementa.

Padilha concorda e completa ao dizer que o vírus tem devastado sobretudo as famílias mais pobres da capital. “Os dados que mostram a proliferação do vírus nos extremos das cidades, onde se concentram as comunidades carentes são alarmantes. Está claro que a pandemia tem cor, tem endereço. O risco de uma pessoa negra morrer de coronavírus é 63% maior do que qualquer outro grupo”, lamenta.

Efeitos econômicos

 

A proposta de reabertura gradual do comércio na cidade também tem sido bastante criticada por especialistas da área sanitária, já que a cidade ainda não está imune a novas ondas de propagação do vírus. Tatto se diz preocupado com a situação, mas também sabe que é preciso encontrar meios para destinar renda aos que mais precisam. “O governo federal claramente não está preocupado com a vida dos mais pobres, já que se recusava até a pagar o auxílio emergencial. Aqui em São Paulo, a situação não é diferente. Temos que abrir uma nova janela na questão econômica. O emprego e renda, a médio prazo, não vai existir”,

Uma das saídas, prossegue Tatto, é investir em cultura, esporte e lazer. “São áreas que podem oferecer, principalmente aos jovens, uma nova oportunidade no mercado de trabalho. As periferias da cidade são riquíssimas em manifestações culturais e isso poderia ser um dos caminhos para sair da crise. Cabe à prefeitura articular para que isso aconteça”.

Em termos mais amplos, o petista acredita que não há outro caminho senão apostar na distribuição de renda. “O projeto de renda básica da cidadania poderia ser implementado imediatamente. Bastaria usar o cadastro único já existente na Prefeitura para começar a disponibilizar o beneficio. Quando você insere dinheiro, a economia gira e todo mundo sai ganhando”.

Da Redação

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