A cultura é uma das principais cadeias econômicas, responsável pelo emprego de milhões de brasileiros. Apesar da percepção popular olhar apenas para o artista, atividades culturais possuem toda uma rede de profissionais e prestadores de serviços que dão suporte ao produto final. Desde a costura de um figurino, passando pelo técnico de som, atendente no café, até a atriz que protagoniza o espetáculo, milhares de pessoas fazem o “trabalho invisível”.

Em 2019, após sua posse, o presidente Jair Bolsonaro elegeu o setor cultural como um de seus principais inimigos, espalhando uma série de mentiras sobre a Lei Rouanet, pois diversos artistas se opuseram publicamente contra sua eleição.

Guerra cultural

Para Jilmar Tatto, “a cultura tem a ver com a questão de formação de cidadãos, em que o lazer deve ser o momento que as pessoas tenham experiências edificantes, desenvolvendo aquilo que o mercado chama de soft skills”. De acordo com o Secretário Nacional de Comunicação do PT, o setor é fundamental para a disputa política e o Bolsonaro sabe disso. “Por isso desmantelou o Ministério da Cultura; e ataca constantemente artistas e manifestações artísticas, principalmente de artistas da periferia”.

O ódio do presidente pela classe artística é tanta, que Bolsonaro vetou as duas leis aprovadas pelo Congresso Nacional (Lei Aldir Blanc e Lei Paulo Gustavo), com justificativas fracas. “Bolsonaro foca apenas nos grandes expoentes da cultura popular que são contra seu governo, mas esquece de milhões de pessoas que dependem exclusivamente da atividade cultural para colocar o pão na mesa”, apontou Tatto.

Cultura independente

Em sua visita a cidades da região de São José do Rio Preto, Jilmar Tatto dialogou com diversos ativistas culturais. Na Escola Livre de Teatro de Jales, pode conhecer um trabalho referência na produção artística regional. “São mais de 30 anos de atuação. Tudo começou com um Sarau pequeno, que em pouco tempo se transformou em um movimento que resultou na Escola”, afirmou Carlos Mello, advogado que atua na entidade. “Somos uma referência em política cultural. As pessoas pensam que a Escola Livre é a Secretaria Municipal de Cultura. No entanto, somos uma organização social”, completou.

Na avaliação de Tatto, também faltou ao governo estadual uma política que visasse proteger a classe artísticas dos impactos da pandemia. “Nenhuma ação emergencial foi realizada para preservar dos espaços culturais independentes que ficaram fechados e arcaram com suas despesas, em consequências de não poderem realizar suas atividades com artistas independentes. O governo do estado abandonou aproximadamente 650 mil trabalhadores da cultura e 2 mil espaços culturais, maior produtor cultural do país”, ponderou o dirigente nacional.

Tempos melhores virão

As pesquisas de intenção de voto indicam Lula na frente de Bolsonaro, mantido esse prognóstico, para Jilmar Tatto é fundamental a eleição de uma base parlamentar que de sustentação ao novo governo. “Mas a luta política é diária e os ativistas culturais, os artistas independentes, público em geral deverão manter o diálogo sobre política, pois ela impacta cotidianamente as vidas das pessoas”, afirmou o pré-candidato a Deputado Federal, que ainda completa: “A cultura é uma área fundamental em diversos aspectos: ela gera empregos, renda, conhecimento e, principalmente, gera lazer. As pessoas devem ter o direito de fazer nada e aproveitar a vida”.


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