Por Jilmar Tatto

De acordo com uma pesquisa global sobre empreendedorismo (GEM 2021), o Brasil ficou em sétimo lugar entre os países com maior taxa de empreendedores. Segundo o Sebrae e IBQP, responsáveis pelo estudo por aqui, entre 2020 e 2021, aproximadamente 14 milhões de pessoas que optaram por abrir seu próprio negócio.

No Brasil, existem 43 milhões de empreendedores. Esse número compreende pessoas que já têm um negócio formalizado ou, no último ano, realizaram alguma ação com intenção de ter um. Dados do Sebrae mostram que de 80 e 90 milhões de pessoas dependem diretamente de micro e pequenas empresas, segundo Carlos Melles, presidente da entidade.

A grandeza dos números demanda uma atenção especial por parte dos governos federal, estadual e municipal. Seja para o desenvolvimento de políticas que visem simplificar a abertura de empresas; que incentivem a criação de postos formais de trabalho; e que facilitem o acesso a crédito para capital de giro e investimento. Cabe ao poder público também fomentar ações de economia criativa, que tragam maior valor agregado às atividades desenvolvidas nos territórios.

Cultura = desenvolvimento

O setor da cultura é talvez um dos que podem ser mais frutíferos nesse campo da economia criativa. A pandemia de Covid-19 evidenciou a importância que as produções culturais têm na vida das pessoas. De atividade subjetiva, considerada supérflua numa análise superficial, durante o isolamento se mostrou essencial para a manutenção de um mínimo de qualidade de vida paras as pessoas.

O setor também foi um dos mais prejudicados durante a pandemia, pois além dos artistas, existe toda uma cadeia econômica dependente das atividades culturais, com a mais diversa complexidade. De uma hora para outra milhões de pessoas se viram sem perspectiva alguma.

Com a retomada gradual das atividades econômicas, em que transformações nas relações de trabalho estão dadas (home office, por exemplo), possibilitando que muitas pessoas aproveitem melhor o seu tempo, é fundamental olhar mais atento para o setor da cultura, não somente enquanto área de desenvolvimento humano, mas também como um indutor de economia criativa que podem estar concentradas ou espalhadas pelo território.

Para qualquer parte

O PT sempre demonstrou uma preocupação com o setor cultural e com o empreendedorismo, através da economia solidária. O programa de governo que defendi para São Paulo em 2020 trazia a cultura também como ação de desenvolvimento econômico, pois sabemos do potencial. Dois exemplos são: o carnaval de rua e a suspensão do tráfego de veículos na Paulista trouxeram diversas externalidades positivas, gerando entretenimento e renda para milhares de pessoas. É possível ir além, propiciando nas periferias ações semelhantes, que possam desenvolver atividades desse tipo, com produção cultural local.

Apesar dos números do empreendedorismo no Brasil parecerem promissores, dois fatores sem nenhuma relação mostram que as políticas devem ser calibradas. Primeiro, a GEM 2021 mostra que o número de novos empreendimentos caiu no Brasil. Segundo, o governo de Jair Bolsonaro é inimigo da produção cultural e fez de tudo para inviabilizar recursos para o setor. Ações orientadas para fomentar a cultura poderiam atrair novos empreendedores.

Comparar projetos

Em um país que há pelo menos seis anos vem escorregando no que diz respeito a geração de emprego e renda, o fomento à cultura é uma opção estratégica de fortalecimento de uma cadeia econômica, tanto através daquilo que está consolidado, quanto de novos negócios que podem surgir. O projeto do Bolsonaro é de destruição, enquanto o do PT é de construção.


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