
Para Jilmar Tatto, caso reacende a discussão sobre as privatizações e possível reestatização
A Enel, empresa de energia que atende o estado de São Paulo, vem há anos trazendo inúmeros prejuízos aos milhares de moradores e comerciantes, que não veem mais melhoria nos serviços, nem uma luz no fim do túnel como solução. No mês passado, a população paulista enfrentou novamente mais de cinco dias diretos de apagão.
Após as constantes ocorrências de falhas, o governo federal estuda rescindir o contrato com Enel pelas dívidas que chegam no valor de R$300 milhões imposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), essas empresas privatizadas visam o lucro. A Enel, ao invés de ampliar o atendimento, demitiu 30% de seus funcionários, entregando um serviço público de péssima qualidade. “É revoltante ver que uma empresa lucrativa prejudique serviços essenciais para a população, criando um caos generalizado. Tem, sim, que caçar a concessão”, afirma o petista.
A lista de problemas, caso não haja as devidas providências, deve se estender até 2028, data que termina a concessão da Enel. A empresa é responsável pela distribuição de energia em 29 países, tendo o Brasil como um dos seus principais mercados na América Latina. De acordo com o deputado federal, os apagões no estado demonstram que a privatização não dá certo. “Infelizmente, São Paulo sofre na mão do Tarcísio e do prefeito Ricardo Nunes que preferem sucatear serviços públicos, como energia, educação e transporte público. A conta fica sempre para o trabalhador”, relata Tatto.
O que aconteceu no mês passado veio para levantar o debate, tendo em vista que em novembro de 2023 um único apagão prejudicou mais de dois milhões de endereços. A falta de energia e privatizações também recrudesceu a discussão para a sociedade paulista, diante do fato que os atuais gestores têm a ânsia de vender a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e de todas as linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
A indignação da população e o medo de perder votos do seu eleitorado têm feito o prefeito Ricardo Nunes e candidato à reeleição criar uma cortina de fumaça, já que o seu padrinho, Tarcísio, não vai mudar as suas promessas anteriores de campanha.
Enquanto os gestores paulistas fecham os olhos para o caos, a Enel obteve um lucro de R$1,3 bilhão, no ano passado, só em São Paulo. Segundo o parlamentar, o efeito privatista da ultradireita no país nunca olha para quem contribui e necessita dos serviços. “Vale lembrar que a maior empresa de energia do Brasil, a Eletrobras, também foi privatizada por um preço irrisório pelo ex-presidente Bolsonaro em 2022. É sempre assim: a tarifa sobe e não se vê melhorias. Temos que dar um basta às privatizações”, conclui o deputado.
